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quinta-feira, 11 de junho de 2009

3. Tudo começou...













Quando eu, arrumada, depois de almoçar, esperando a hora de ir para a escola, brincava sentada no chão da sala de televisão, enquanto meu pai assistia ao MGTV.


Estávamos lá, eu e meu brinquedo preferido: uma cartilha que meu pai me deu no meu aniversário, e que eu carregava para cima e para baixo. Então, como de costume, estava lendo e, de repente, eis que a mágica acontece (na minha cabeça foi como mágica)!


Segui juntando b com o, e vi que formou bo. Depois l com a, la. E, bo + la = bola! Testei o processo com outras palavras e foi dando certo. Levantei bem rápido e fui mostrar para meu pai, e sai gritando para a minha mãe, que eu havia aprendido ler. Estava no pré-primário pela segunda vez, porque eu era “do meio do ano”, e tive que repetir o pré.


Hoje, fico impressionada como uma criança de 7 anos tenha gostado tanto de ganhar uma cartilha. E agora, escrevendo, senti uma saudade da minha cartilhinha, e resolvi procurá-la no Google. E não é que a encontrei?!

Reconheci-a pelos desenhos e pelos exercícios. E soube um pouquinho da sua história. Dentre os vários links, selecionei dois:

1. Blog Vassourando

2. Wikipédia


Aprender ler foi uma grande conquista para mim, e sempre fui leitora assídua. Li sempre. Da 1ª a 4ª série, adorava as aulas que a professora levava a turma para a biblioteca e ainda tenho imagens de um livrinho que li na 3ª série de uns pássaros que saem e voltam para casa.


No ensino fundamental, semanalmente pegava livros na biblioteca do Colégio Tiradentes, onde estudei. Romances, contos, crônicas. Todos da série Vagalume e da coleção Para Gostar de Ler.


Mas, desde que aprendi ler, o livro mais lido por mim é a Bíblia. Diariamente. Gosto de lê-la, estudá-la, entendê-la. Gosto muito das novas traduções, principalmente a Nova Linguagem de Hoje, que clarifica algumas palavras que eu não entendia muito bem, e são adaptadas ao contexto atual.


Dos autores cristãos gosto de muitos, como Max Luccado. E o meu preferido é C.S.Lewis, muito conhecido pelas Crônicas de Nárnia (eu não li todas elas, prefiro outras obras dele. Mas minha mãe ama as crônicas e está acabando de lê-las).


Além deles tenho “o meu gordinho” favorito, que bem sabem meus alunos: Luís Fernando Veríssimo. E Drummond.


Para mim, conseguir citar quatro autores preferidos é uma vitória, rs. Eu tenho tantos! Mas, esses são os que estou sempre lendo, juntamente com outros. Digamos que são “os de sempre”.


Aos poucos tenho montado a minha biblioteca. Gosto de comprar livros, de tê-los. E não muito de emprestá-los, rs. É que nem todo mundo devolve livros. E eles são bem carinhos.


Há três revistas das quais também não abro mão:a Nova Escola, que muito enriquece minha prática pedagógica; a Vida Simples, que foi uma grande descoberta para mim e a Ultimato, do coração.


Tanto quanto gosto de ler, gosto de escrever. Desde pequena também. Na 4ª série, ganhei um concurso de redação municipal. No Colégio Tiradentes, ganhei outros dois. Engraçado, agora percebo que parei por ai. Atualmente, o máximo que faço é participar de vez em quando do Psiu Poético, expondo alguns dos meus poemas. Pensando bem, seria interessante participar de outros concursos. Verei isso!


Deu para perceber que tenho uma ligação muito forte com as palavras. É por isso que gosto tanto de ler e escrever. Sou muito “verbal”, rs. (O tamanho desse texto confirma isso). Amo quando acabo de escrever um texto e fico orgulhosa de tê-lo escrito. E amo mais ainda quando leio um texto que gosto muito, e fico “morrendo de inveja”, pensando: “por que não fui eu que escrevi esse texto?”.

2. Sobre a minha experiência como educadora


Terminei o curso de Letras em agosto 2004. Em outubro “peguei” as minhas primeiras aulas. Um contrato de apenas 10 dias, no Ensino Médio.

Até então, minha prática como professora de Português resumia-se ao meu estágio curricular, do qual eu gostei muito, e foi muito significativo para mim.

O estágio era apenas nos dois últimos períodos (não sei se mudou). E quando chegou a hora de fazê-lo, busquei em várias escolas. No penúltimo período, quando eu já havia conseguido numa escola próximo à minha casa, surgiu um que eu não poderia recusar: no Colégio Tiradentes, onde estudei durante o Ensino Fundamental. Foi muito emocionante reencontrar meus professores, e passar o recreio na sala deles. E também “minha”.

Depois desse contrato numa escola estadual, tive o privilégio de trabalhar no município, durante o ano de 2005 com a EJA. Os seis primeiros meses são inesquecíveis, porque foram desafiadores.

Era uma turma com muitas pessoas mais velhas do que eu, e por isso, desacreditavam de mim. Sempre encontravam um mínimo motivo para reclamarem à supervisora. E ela, toda semana me chamava a sua sala para dizer o que os alunos lhe tinham dito.

Isso durou uns dois meses, até que um dia eu respondi que havia cansado de tentar mudar, de querer agradar. Que a partir daquele dia seria do meu jeito, porque eu não conseguiria nunca atender às exigências dos alunos, e que eles teriam que se adaptar.

Saí da sala dela e fui direto a deles, e disse que eu estava ciente de todas as suas reclamações, que já tinha tentado me adequar a elas, mas sabia que nada que eu fizesse ou deixasse de fazer, iria agradá-los. Então, eles teriam que me aceitar como eu era. E mais, eles não precisavam gostar de mim, serem meus amigos. Apenas me respeitarem e cumprirem as minhas recomendações. Ter relacionamento de professora e alunos.

Foi um espanto geral da parte deles. E com o passar do tempo, meu espanto. Percebi que eles se achavam os poderosos, e queriam me manipular. Quando perceberam que eu era indiferente a amizade deles, começaram a se abrir, e me aceitaram.

É bom relembrar dessa turma agora. Como tenho saudade! E como chorei quando acabou o semestre. Até hoje nos encontramos e há muito carinho entre nós. Eles sempre falam como fui importante na vida deles. E que sempre se lembram de mim nos concursos.

Depois disso, trabalhei de novo em escolas estaduais, e sou efetiva no município há dois anos.

Tenho aprendido com cada turma que tenho. Tenho feito amigos, e tem valido a pena. Passei por uma fase de muitas mudanças de escola. Sempre recomeçando. E buscando encontrar meu espaço.

Os desafios vão variando. Vez ou outra um volta. Salas indisciplinadas. Alunos desinteressados. Alunos muito agitados. Colegas que não recebem bem. Os piores horários que sobram para quem chega por último. Ser novata na escola. Aprender ser mais prática. Muitas exigências. Falta de tempo...

Ainda bem que desafios aparecem. Porque é através deles que vou sendo moldada, e criam marcos na minha história, para os quais sempre volto a olhar. Ou para perceber o quanto tenho evoluído, ou para me dizerem que eu consigo. Eu já passei por isso antes...

E continuo apaixonada!